A religião moderna acredita que a causa primária e o cerne da religião é o homem. Confundem o canhão com a bala que ele lança, atribuindo poderes místicos e elevados aos cosmos e a toda natureza em si. Buscam deuses pessoais na natureza que o cerca, esperando assim receber uma ajuda contra o poder e a força inefável dos cosmos e da própria natureza. Abandonam sua fé num ser espiritual, extramundano e pessoal e, encantados pela altivez do espírito humano, prostram-se diante de um ideal impessoal, onde em auto-adoração, supõem ser eles mesmos a venerável encarnação. Egoísta, ela nunca supera o seu caráter subjetivo e individualista, permanecendo sempre uma religião voltada totalmente para o homem. Os homens são místicos e religiosos afim de invocar poderes da natureza para livrá-los do mal, de suas necessidades e opressões.Tendo como cerne o próprio homem e o espírito humano, está sempre em busca de salvação, libertação, suprimento de necessidades, elevação e êxtase espiritual. E mesmo quando trata-se de uma religião monoteísta, o deus a qual ela serve existe apenas para ajudar o homem, dar tranquilidade ao Estado, dar livramentos de toda sorte de mal e garantir assistência nos tempos de necessidades e tentação. Uma religião ou prática religiosa sustentada nesses ideais não subsiste por muito tempo, pois, assim que as necessidades, perigos, tentações e êxtases se vão, vão também o sentimento religioso e a devoção do fiel. Não é a toa que esse tipo de religião prospera muito entre pessoas mais necessitadas e que carecem de socorros, no entanto, é ignorada pelos mais cultos e abastados, pois estes já se libertaram da opressão maléfica dos cosmos e não precisam mais das muletas da religião para se sustentar. Esse é o fim egoísta de toda religião voltada para o homem. Este foi o percurso das religiões em todas as nações não cristãs e, infelizmente, repete-se hoje entre cristãos nominais que ainda não entenderam qual é a origem e o fim da verdadeira religião: Levar cada coração humano a render glórias a Deus por aquilo que Ele é, fez e faz. E entender que não é Deus quem existe por causa de Sua criação, ao contrário, é toda Sua criação que existe por Sua causa, e apenas para Ele mesmo.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Equilíbrio, um enfeite no pescoço
Eu gosto de pensar sobre ética e virtude segundo Aristóteles, já que
para o filósofo toda ação humana tende ao excesso ou a falta, no
entanto, a verdadeira virtude encontra-se no equilíbrio. Por exemplo, o
excesso de coragem é a temeridade, a impulsividade. A falta de coragem é
a covardia. Ambas são consideradas vícios. É preciso buscar o
equilíbrio, que é a virtude, ou seja, a coragem em si. A virtude do bom
senso, do equilíbrio, leva-me a acreditar que todo e qualquer extremismo
é vicioso, egocêntrico e cego. Contudo, buscar a virtude é saber ver
com os próprios olhos e com os olhos dos outros.
Levo comigo os sábios conselhos de meu Pai: "Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista; trarão vida a você e serão um enfeite para o seu pescoço..."(Provérbios 3:21-22)
A antítese do coração.
Antítese: Contra ponto, duas declarações distintas acerca de uma mesma
realidade. Logo, as duas não podem ser verdade simultaneamente.
Teologicamente falando, antítese é tudo aquilo que se opõe à sabedoria
de Deus. A antítese se passa no cerne do nosso coração, é a oposição
entre o pensamento apóstata e a mente de Cristo. E, como é do coração
que brotam os pensamentos da vida, essa antítese se manifesta nas
diferentes formas de expressões do homem, como na cultura, filosofia,
em toda forma de pensar e agir. Fica claro como nosso coração pode se
tornar uma fábrica de antíteses, opondo-se a toda sabedoria de Deus,
endurecendo-se contra qualquer revelação que seja proveniente da mente
de Cristo. Quando negamos a autoridade divina das Escrituras,
relativizando e colocando-a em segundo plano, damos um exagerado
destaque aos pensamentos e ideias contrários às Escrituras e chegamos
bem próximos da apostasia, mesmo que, na em nossa imaginação, esteja
tudo bem. Se existe uma pessoa a qual precisamos pregar o evangelho
todos os dias, esta somos nós mesmos.
- {Romanos 1:25} -
Cultura dos coitadinhos
Até aproximadamente o século 20, as culturas mais tradicionais
acreditavam que a autoestima elevada demais era a causa de todos os
males da sociedade. Em contraste, na sociedade ocidental de hoje,
desenvolvemos um senso cultural totalmente oposto. A base da educação
contemporânea, a maneira como tratamos os encarcerados, o fundamento da
maior parte da legislação moderna e o ponto de partida do aconselhamento
de hoje, partem da crença que as pessoas agem
mal por falta de autoestima e por terem uma valorização baixa de si
mesmas.
Por exemplo, a razão pela qual um indivíduo assaltaria outro e
cometesse outros crimes, seria o fato dele ter uma valorização muito
baixa de si mesmo. Anos atrás, a visão seria de que o problema desse
criminoso seria uma visão exagerada de si mesmo – soberba, arrogância.
Qual das duas está certa? Não sei. Pode ser ousado demais querer
arriscar esse tipo de análise acerca de toda uma cultura, envolvendo
relações tão complexas.
Contudo, em 2002 a psicóloga Laruen Slater
publicou no New York Times um artigo [The trouble with self-esteem] no
qual afirma que nada comprova que a autoestima baixa seja um grande
problema na sociedade e chega a dizer que “... as pessoas com autoestima
elevada são mais perigosas do que as pessoas com baixa autoestima, e
estar incomodado consigo mesmo não é a fonte dos maiores problemas
sociais do país”.
Quando mudamos a forma com a qual somos
direcionados a enxergar determinadas pessoas, numa cultura
crescentemente marcada pelo vitimismo, algumas coisas passam a fazer
maior sentido.
Eu, particularmente, julgo ser mais lúcido acreditar que
uma pessoa que seja soberba faça um grande mal à outra, do que uma
pessoa que se sente menor e mais fraco do que os demais.
Sobre Abraham Kuyper:
Estou impressionada com a vida de Abraham Kuyper, depois dessa
biografia, fiquei com ainda mais vontade de devorar seu livro que estou lendo atualmente, intitulado "Calvinismo".
O homem,
cristão de tradição calvinista, foi teólogo e filósofo e se envolveu
intensamente na áreas acadêmicas e políticas de seu país, a Holanda. Foi
líder de um dos principais partidos políticos do país, membro do
parlamento por 3 anos e primeiro ministro da Holanda por 4 anos.
Fundou a universidade livre de Amsterdã, onde trabalhou como administrador
e professor. Foi editor de jornais cristãos e, em meio a essa vida
intensa de serviço, encontrou tempo para escrever e publicar mais de 200
volumes de profunda substância intelectual. Kuyper. certamente marcou a
história da Holanda e da Igreja.
Enquanto eu me perguntava como um
homem consegue tempo e vigor para tantas realizações em sua vida,
deparei-me com essa declaração do próprio Abraham:
“Um desejo tem sido a paixão predominante de minha vida. Uma grande
motivação tem agido como uma espora sobre minha mente e alma. E antes
que seja tarde, devo procurar cumprir este sagrado dever que é posto
sobre mim, pois o fôlego de vida pode me faltar. O dever é este: Que
apesar de toda oposição terrena, as santas ordenanças de Deus serão
estabelecidas novamente no lar, na escola e no Estado para o bem do
povo; para esculpir, por assim dizer, na consciência da nação as
ordenanças do Senhor, para que a Bíblia e a Criação deem testemunho, até
a nação novamente render homenagens a Deus.”
Um homem com
imensos talentos que entregou-se à reconstrução das estruturas sociais
de sua terra. Que legado, que propósito de vida! Inspirador, no mínimo.
Culto ao Corpo
Estudando sobre a relação da
sociedade com o corpo humano, especialmente no século XX e XXI, estive pensando
sobre dois ideais de “corpo perfeito” que predominam hoje: O corpo ectomorfo,
que valoriza o formato de corpo linear, típico das modelos de passarela, e o
corpo hipertrofiado, que valoriza o formato de corpo muscular.
Esses dois ideais
disputam espaço e, nos últimos anos, tem-se visto a “geração saúde”, que ama
academias e anabolizantes, afirmar que é a geração que busca mais do que um
corpo com formas exuberantes, mas busca saúde, força e um estilo de vida saudável.
Eu, particularmente, acho isso pura ladainha, na maioria das vezes. Não sou
contra exercícios físicos, eu mesma procuro praticar regularmente. Mas o que
tem acontecido ultimamente é, na verdade, uma troca de ideal de corpo perfeito,
de padrão de beleza, onde antes o magro era o único belo e agora o musculoso,
bem definido e forte é o que toma o status de forma perfeita.
Para mim ambos os casos são apenas sintomas de
uma sociedade narcisicamente doente, que idolatra a si mesma e ama aparecer.
Até porque, quem de fato busca saúde e bem estar, não tem a necessidade obsessiva
de mostrar para o mundo o quão saudável, magro, forte, esbelto e musculoso é. Isso tem outro nome: Culto ao corpo.
Acredito
que saúde seja uma harmonia entre mente, espírito e corpo, onde se pode ter
boas perspectivas para o futuro quanto ao funcionamento do próprio ser, prevenindo
e tratando qualquer patologia em qualquer uma das áreas.
Coisa que não enxergo
nessa gente obsessiva por padrões estéticos, podem até ser belos exteriormente,
mas não raro padecem dentro de si.
Para terminar, uma
frase interessante pra refletir o assunto:
“O culto ao corpo oculta a alma” (Zack Magiezi)
sábado, 20 de junho de 2015
Não tenha medo de ser feminina
Muitas mulheres têm pavor de serem femininas por acharem que expor esse lado para todos pode transmitir uma imagem de mulher frágil, muito focada na aparência, que não pega no pesado para não quebrar a unha e que precisa dos homens para qualquer coisa.
Para fugir desse rótulo, acabam se tornando do tipo “cabra macho”: aquela que vai à luta e não perde tempo com reclamações. Para mostrar que é forte e não tem medo de nada chega até a ser grosseira.
O que esses dois tipos não entendem é que os extremos não valorizam a capacidade que somente as mulheres têm: a de ser delicada e forte ao mesmo tempo. É ela que nos diferencia dos homens.
A consultora de Etiqueta e Marketing Pessoal Ligia Marques ressalta que o conceito de feminilidade hoje em dia é confundido com fraqueza.
“O movimento feminista leva qualquer comportamento mais delicado de uma mulher ou uma atitude gentil de um homem ao patamar de ‘incitação ao machismo’. Ser feminina é ter atitudes delicadas, firmes e autênticas ao mesmo tempo e na medida certa. Não tem nada a ver com a imagem de uma mulher necessariamente frágil.”, destaca.
A escritora Núbia Siqueira, salienta que a voz mansa, os acessórios cor-de-rosa, os vestidos e laçarotes não são indícios de que uma mulher é feminina. “Ser mulher tem um encanto enorme que está associado a um comportamento bonito, natural e diferente ao comportamento que o homem tem.
Vemos hoje mulheres que, para provar que são fortes, incorporaram o comportamento bruto masculino, como a rudeza, os palavrões, o autoritarismo, a agressividade, cara amarrada, frequência a bares, as bebedeiras e muitas outras coisas.”
É perfeitamente possível ser uma mulher forte sem ter um comportamento masculinizado.
As novas atribuições da mulher moderna não querem dizer que tenha que deixar de lado aquilo tudo que a faz diferente dos homens. Saber conciliar a feminilidade com as exigências de uma postura mais enérgica é o segredo das mulheres que têm sucesso em todas as esferas”, explica a consultora Lígia Marques.
Ela aproveita para dar duas dicas essenciais para quem quer explorar mais a feminilidade. “Não procure imitar atitudes masculinas e não se importe com críticas que dizem que você é muito feminina. Seja autêntica e use isso a seu favor.”
A escritora Núbia Siqueira também concorda que o segredo da feminilidade se concentra no comportamento. “A mulher chama atenção de forma positiva ao ser e ter aquilo que o homem não tem. Ou seja, ela consegue ser gentil, sensível às necessidades das pessoas, tem um olhar mais doce, um tom de voz agradável, é educada, discreta, etc. Investir em valores como a feminilidade, discrição e educação faz você tornar-se notável e praticamente singular em uma geração de tão baixos padrões”, conclui a escritora.
Núbia Onara
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Valorizar sem idealizar!
Não há como uniformizar condutas,
posturas e idealizarmos certos grupos humanos/sociais. Tratar a complexidade
das relações humanas de maneira linear e uniforme é, no mínimo, equivocado.
Precisamos parar de dividir o mundo em dois pólos antagônicos que pressupõem
reduzir a realidade em “branco mau x negro bom”, “homem agressor x mulher
vítima”, “hétero opressor x homo oprimido”. É importante revelar o que é bom e
denunciar o que é mau, contanto que fujamos, sempre, das idealizações. A ideia
é valorizar o positivo, mas sem idealizar.
Percebo que muitos caem nessa
idealização de certos grupos sociais, eximindo-os de qualquer culpa que possam
ter, tratando-os sempre como vítimas, sem sequer por um momento pensar nas suas
individualidades humanas. Idealizar esses grupos, descartando suas
singularidades, leva-nos a fantasiar e florear a realidade de tal maneira que a
discriminação continua presente, porém, camuflada aos olhos dos que idealizam.
Um exemplo prático disso é nutrir
aquela visão romântica e ideal de mulheres vítimas, oprimidas pela
desigualdade, de negros oprimidos e infelizes, sobrevivendo diariamente numa
sociedade extremamente racista, de pobres tristonhos, cheios de vontade de
trabalhar e estudar, só esperando uma baita oportunidade bater em sua porta, de
homossexuais coitadinhos, deprimidos, massacrados diariamente por heteros
preconceituosos.
Sabemos que, apesar de todas
essas situações serem – infelizmente – reais, elas não são “a regra” e que nem
sempre é assim. Um exemplo ainda mais comum disso é a questão dos moradores de
rua. Geralmente, quando pensamos em um, sentimos pena, culpa por termos tanto e
ainda assim reclamarmos, enquanto outros moram nas ruas e não têm o que comer. Sentimo-nos
até impelidos em ajudá-los e fazer algo em prol desses indivíduos. No entanto,
basta sairmos nas ruas de grandes centros urbanos que encontraremos realidades
bem distintas destas. Lá existem pessoas nestas situações, sim, porém, também
existem pessoas que têm oportunidades de saírem dali, mas não o fazem porque
NÃO querem o fazer. Ou seja, ao idealizarmos a imagem desse grupo de pessoas –
moradores de rua – distanciamo-nos da complexidade que é a realidade dos
diferentes tipos de pessoas que compõem esse grupo.
Minha ideia é que, como eu disse
anteriormente, não devemos deixar de nos indignar com toda e qualquer injustiça
que permeia nossa sociedade, com a maldade que está presente em todo tempo e
lugar. No entanto, não devemos também atribuir essas qualidades a apenas um
determinado grupo de pessoas. O ponto central de tudo é entender que a questão
“racismo”, “preconceito”, “violência” e “intolerância” não tem a ver com
gênero, cor ou orientação sexual. Mas sim com raça: homo sapiens. O ser
humano é mau, seja ele branco, negro, mulher ou homem.
Uma cosmovisão bíblica:
E essa é a resposta bíblica para
a origem de toda desigualdade e injustiça que vemos na humanidade. “Porque
todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” {Romanos 3:23}. A partir
do momento que a natureza do ser humano tornou-se corrompida, após a queda de
seu primeiro representante, Adão, o mal se instalou em sua essência e, desde
então, tem influenciado seus atos e inclinações.
Logo, vejo que lutar contra o
preconceito, violência, discriminação, como se fossem um fim em si mesmos, não
é eficaz. Como cristã, penso que o Homem precisa mais do que desconstruir
preconceitos e atitudes desumanas, ele precisa mudar sua essência.
E, a única maneira de alcançarmos
tal transformação, está claramente respondida na continuação do capítulo 3 de
Romanos, após o versículo 23, que diz:
“Sendo justificados gratuitamente
por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu
como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a
sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente
cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e
justificador daquele que tem fé em Jesus. {Romanos 3:24-26}
Pela fé no sacrifício de Jesus e
pelo arrependimento das velhas obras, o homem tem a chance de mortificar sua
velha criação – que está caída e corrompida – e nascer de novo, no espírito,
tornando-se um novo homem em processo de recriação: Deus recria o homem de
dentro para fora, através de sua multiforme graça que, continuamente, opera em
seu coração por intermédio de Cristo Jesus, que agora habita em seu interior.
Essa é a gloriosa obra da cruz,
capaz de unificar e estabelecer a paz entre todos aqueles que a ela se achegam.
“Não há judeu nem grego, escravo
nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus.” {Gálatas 3:28}
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Os histéricos no poder
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 12 de dezembro de 2012
Uma das experiências mais perturbadoras que tive na vida foi a de perceber, de novo e de novo ao longo dos anos, o quanto é impossível falar ao coração, à consciência profunda de indivíduos que trocaram sua personalidade genuína por um estereótipo grupal ou ideológico.
Diga você o que disser, mostre-lhes mesmo as realidades mais óbvias e gritantes, nada os toca. Só enxergam o que querem. Perderam a flexibilidade da inteligência. Trocaram-na por um sistema fixo de emoções repetitivas, acionadas por um reflexo insano de autodefesa grupal.
No começo não é bem uma troca. O estereótipo é adotado como um revestimento, um sinal de identidade, uma senha que facilita a integração do sujeito num grupo social e, libertando-o do seu isolamento, faz com que ele se sinta até mais humano. Depois a progressiva identificação com os valores e objetivos do grupo vai substituindo as percepções diretas e os sentimentos originários por uma imitação esquemática das condutas e trejeitos mentais do grupo, até que a individualidade concreta, com todo o seu mistério irredutível, desapareça sob a máscara da identidade coletiva.
Essa transformação torna-se praticamente inevitável quando a unidade do grupo tem uma forte base emocional, como acontece em todos os movimentos fundados num sentimento de "exclusão", "discriminação" e similares.
Não me refiro, é claro, aos casos efetivos de perseguição política, racial ou religiosa. A simples reação a um estado de coisas objetivamente perigoso não implica nenhuma deformação da personalidade. Ao contrário: quanto mais exageradas e irrealistas são as queixas grupais, tanto mais facilmente elas fornecem ao militante um "Ersatz" de identidade pessoal, precisamente porque não têm outra substância exceto a ênfase mesma do discurso que as veicula.
À dessensibilização da consciência profunda corresponde, em contrapartida, uma hipersensibilização de superfície, uma suscetibilidade postiça, uma predisposição a sentir-se ofendido ou ameaçado por qualquer coisinha que se oponha à vontade do grupo.
No curso desse processo, é inevitável que o amortecimento da consciência individual traga consigo o decréscimo da inteligência intuitiva. As capacidades intelectuais menores, puramente instrumentais, como o raciocínio lógico verbal ou matemático, podem permanecer intactas, mas o núcleo vivo da inteligência, que é a capacidade de apreender num relance o sentido da experiência direta, sai completamente arruinada, às vezes para sempre.
A partir daí, qualquer tentativa de apelar ao testemunho interior dessas pessoas está condenada ao fracasso. A experiência que elas têm das situações vividas tornou-se opaca, encoberta sob densas camadas de interpretações artificiais cujo poder de expressar as paixões grupais serve como um sucedâneo, hipnoticamente convincente, da percepção direta.
O indivíduo "sente" que está expressando a realidade direta quando seu discurso coincide com as emoções padronizadas do grupo, com os desejos, temores, preconceitos e ódios que constituem o ponto de intersecção, o lugar geométrico da unidade grupal.
O mais cruel de tudo é que, como esse processo acompanha "pari passu" o progresso do indivíduo no domínio da linguagem grupal, são justamente os mais lesados na sua inteligência intuitiva que acabam se destacando aos olhos de seus pares e se tornando os líderes do grupo.
Um grau elevado de imbecilidade moral coincide aí com a perfeita representatividade que faz do indivíduo o porta-voz por excelência dos interesses do grupo e, na mesma medida, o reveste de uma aura de qualidades morais e intelectuais perfeitamente fictícias.
Não conheço um só líder esquerdista, petista, gayzista, africanista ou feminista que não corresponda ponto por ponto a essa descrição, que corresponde por sua vez ao quadro clássico da histeria.
O histérico não sente o que percebe, mas o que imagina. Quando o orador gayzista aponta a presença de cento e poucos homossexuais entre cinquenta mil vítimas de homicídios como prova de que há uma epidemia de violência anti-gay no Brasil, é evidente que o seu senso natural das proporções foi substituído pelo hiperbolismo retórico do discurso grupal que, no teatro da sua mente, vale como reação genuína à experiência direta.
Quando a esposa americana, armada de instrumentos legais para destruir a vida do marido em cinco minutos, continua se queixando de discriminação da mulher, ela evidentemente não sente a sua situação real, mas o drama imaginário consagrado pelo discurso feminista.
Quando o presidente mais mimado e blindado da nossa História choraminga que levou mais chicotadas do que Jesus Cristo, ele literalmente não se enxerga: enxerga um personagem de fantasia criado pela propaganda partidária, e acredita que esse personagem é ele. Todas essas pessoas são histéricas no sentido mais exato e técnico do termo. E se não sentem nem a realidade da sua situação pessoal imediata, como poderiam ser sensíveis ao apelo de uma verdade que não chega a eles por via direta, e sim pelas palavras de alguém que temem, que odeiam, e que só conseguem enxergar como um inimigo a ser destruído?
A raiz de todo diálogo é a desenvoltura da imaginação que transita livremente entre perspectivas opostas, como a de um espectador de teatro que sente, como se fossem suas, as emoções de cada um dos personagens em conflito. Essa é também a base do amor ao próximo e de toda convivência civilizada.
A presença de um grande número de histéricos nos altos postos de uma sociedade é garantia de deterioração de todas as relações humanas, de proliferação incontrolável da mentira, da desonestidade e do crime.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Dicas de etiqueta: Facebook.
Olá
amadas!
O
site http://www.dicasdeetiqueta.com.br/
é um site dedicado somente para falar sobre “dicas de etiqueta”, é muito
interessante e vale a pena dar uma conferida.
Aqui
estão algumas dicas de etiqueta no Facebook:
1) Antes de marcar
alguém em alguma foto, peça permissão. Afinal, nunca sabemos se a pessoa vai
querer se expor naquela situação.
2) Se você precisa dar
um recado a alguém, cobrar ou até mesmo relembrar algum caso, faça por mensagem
privada. Nem sempre a pessoa marcada no post gostaria de compartilhar essas
informações com todos os amigos da rede.
3) Cuidado ao
compartilhar correntes, vídeo, fotos e textos prontos. Você pode estar
entupindo a timeline de seu amigo com coisas repetidas, além de ser tachado de
chato ou sem opinião. Tenha critério ao republicar conteúdos.
4) Evite postar
informações irrelevantes sobre o seu dia a dia. Se expor sem necessidade pode
soar egocêntrico da sua parte, além de, mais uma vez, encher a timeline de seus
colegas com conteúdos pouco interessantes.
5) Tenha cuidado ao
expor suas opiniões, especialmente sobre assuntos polêmicos. Lembre-se que,
diferente de uma discussão ao vivo, suas palavras serão armazenadas por muito
tempo e, se você for grosso ou mal educado, todos vão se lembrar disso com
frequência.
6) Jogos e aplicativos
são legais, mas pare de ficar mandando convite para esse tipo de coisa dentro
da rede social. Cada um tem suas preferências e, provavelmente, já deve
conhecer algum joguinho que o agrade.
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